Festival Ejilá Osé Oborá, em Recife, homenageia a Xangô

Festival Ejilá Osé Oborá, em Recife, homenageia Xangô

Nos dias 14, 15 e 16 de junho, ocorreu o Ejilá Osé Oborá e a fogueira sagrada do Rei, festival em homenagem a Xangô, atividade religiosa, política e cultural que existe desde 1995. Conhecido como o senhor do Fogo, dos Raios, dos trovões, da fartura e da Justiça, Xangô é um dos orixás mais populares do mundo. A fogueira sagrada se tornou o maior festival da América Latina em sua devoção.

O Ejilá Osé Oborá é um reconhecimento de fé, cuja manutenção ancestral tem enfrentado barreiras por conta da intolerância a religiões de matriz africana e o racismo. De acordo com Igor Prazeres, da Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, que participa da organização do evento, a celebração ‘‘coloca o candomblé na rua, para trazer fartura onde há fome, o bem onde há o mal, e justiça onde há injustiça”, afirma. 

Igor defende, ainda, que a celebração das tradições de matriz africana ganha um significado especial em um contexto político como o atual. “Para combater esses momentos obscuros que a gente vive hoje e fazer com que o povo saúde nessa data a sua luta, a sua resistência, para manter as religiões de matriz africana sempre vivas, com seus cultos, seus rituais e suas tradições”, reforça.

O evento acontece no mês de junho e é sincretizado com o São João. Na sexta-feira (14), a programação foi na Roça Oxaguiã Oxum Ipondá, às 19h, com o Corte do Romã, louvação com os 12 ilús para o Rei Xangô. 

No sábado (15), a festa aconteceu na Torre Malakoff. A abertura foi às 8h, com Louvação aos Orixás. Às 12h houve queima de fogos e louvação com os 12 ilús para o Rei Xangô. Às 16h, oficina de dança Ajô Nagô. Em seguida, a missa ecumênica com o Padre Clóvis, às 18h. No restante do dia, ocorreram apresentações de afoxés, coco, maracatus, entre outras atividades culturais.

No domingo (16), último dia de celebração, começou às 16h o Toque Oficial ao Grande Rei Xangô e, às 18h, a queima da fogueira ao som de clarim. Teve, ainda, degustação de Amalá – papa preparada a base de farinha de mandioca e água – e Beguirí – preparado com quiabo, castanha, amendoim, camarão e carne bovina, excessivamente com azeite de dendê e temperado com cebola, cebolinha, pimenta e sal – do início ao fim. 

Neste ano, o Ejilá Osé Oborá trouxe como tema a luta pela liberdade do ex-presidente Lula da Silva, preso político conforme a narrativa dos seus partidários. De acordo com Igor Prazeres, a Roça Oxaguiã Oxum Ipondá resolve assumir a luta pela liberdade do ex-presidente Lula “pela liberdade dessa ideia que foi implementada no seu governo, de combater o racismo, o preconceito e a intolerância”. “Somos uma casa de tradição, de respeito, de responsabilidade, que não foge aos seus deveres religiosos, culturais e políticos de reconhecer em um presidente que está preso politicamente todos os seus acertos para o povo negro. [Lula] assumiu as bandeiras das populações negra, indígena, LGBT, e dos menos favorecidos e transformou esse país em um Brasil soberano” conclui.

Afoxé Oyá Tokolêse apresenta na celebração | Foto: Danilo Oliveira/Divulgação Oyá Tokolê Afoxé Owo
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