O VALOR DO AXÉ

Tenho visto nos últimos dias vários debates sobre o dito valor do axé, traduzindo em palavras simples o quanto um babalorixá/iyalorixa de batuque deve cobrar para se fazer algo dentro do culto….

Vejo argumentos de ambos os lado dos que defendem a cobrança e dos que defendem a gratuidade dos serviços prestados (ou como alguns chamam “caridade”), porem vivemos em uma sociedade monetária onde quase não existe escambo (no qual era possível trocar  um produto ou serviço por outro) e é um fato que um ilê (casa de axé) não se constrói nem se mantém apenas com a fé.

Dos gastos de um Ilê temos desde materiais de cozinha (panelas, facas, colheres, pratos) para a preparação dos alimentos bem como para servir os mesmos; materiais de manutenção do Ilê (material de limpeza, toalhas, panos de prato, tinta etc.), afinal todos gostam de estar em um ambiente limpo, estruturado e por que não dizer bonito; e o próprio material de uso religioso como mel, dendê, vela, Alá, alguidar, gamela dentre vários outros elementos que poderia citar incansavelmente aqui.

E de onde sai o DINHEIRO para tais itens e materiais se o dono do Ilê tem a possibilidade de arcar com tudo sozinho e não cobrar nada?

Excelente, não tem nada de errado nisso. Mas todos sabem que a grande maioria de adeptos e sacerdotes vem de origem humilde e não dispõem de dinheiro sobrando para arcar com tudo sobre seus ombros.

Nos orgulhamos em nos chamar de família religiosa e família inclui ajudar a construir. Manter um bom ambiente de convívio, inclusive material. Lembram quando moraram com seus pais e contribuíam com as contas da casa quando começaram a trabalhar? Bem o Ilê pode não ser a morada do iniciado, porém, no Ilê que fica seu assentamento e bori de Orixá ate que possa construir sua própria família e até lá sob o zelo e proteção do Baba/Iya.
Mas como e quanto deve ser cobrado? Impossível estipular um valor, afinal são muitas as variáveis a serem consideradas desde a estrutura já existente até o numero de adeptos presentes no Ilê de forma que não há uma tabela padrão predefinida, bem como nem todos tem as mesmas condições de contribuir podendo até mesmo estar contribuindo com o próprio trabalho, auxiliando em outras funções dentro do Ilê. O importante é contribuir de alguma forma.
O que pôde ser observado nos últimos anos é o crescente numero de sacerdotes que literalmente abusam dos seus adeptos para enriquecimento a base da fé, cobrando valores claramente absurdos para, e o que é pior, uso pessoal, fazendo com que enquanto seus filhos trabalham mês a mês para conquistar com suor seu salário, deixem boa parte de seus ganhos – que deveriam ser destinados  aos seus gastos pessoais – nas mãos do sacerdote que muitas vezes promete uma mudança milagrosa na vida do filho.
Pois então, de qualquer sacerdote que prometa milagres e ainda cobre valores abusivos para tal, desconfie, pois isso não existe. Nada cai do céu ou é conquistado sem dedicação ou esforço, Orixá da o caminho, a escolha de seguir ou não é nossa.
A fé não tem preço e o Orixá não precisa do seu dinheiro, mas um Ilê infelizmente não se mantém somente com fé.

                                                                                                                            Phil D’Agandju Ibedji
                                                                                                                                          Axé a todos

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