O batuque e o sincretismo.

O batuque foi como ficou conhecida a religião de negros/escravos no Rio Grande do Sul.

Tais escravos passaram bem como os índios, por uma tentativa de catequismo por parte da igreja católica, que era a religião dominante na epóca, o que fez com que os negros desenvolvessem estrategias para poder manter assim parte de sua cultura, assim nasce o sincretismo religioso…..

Em todo pais foi similar, para que o negro pudesse cultuar suas divindades trazidas consigo no coração e na alma, os mesmos tiveram que por muito tempo “fingir” estarem cultuando os santos católicos. Para isso os negros se usavam das imagens, a partir de uma associação básica, como características, local de culto ou função em relação as suas divindades.

Como ideia de tais associações temos o seguinte exemplo: São Jorge- santo guerreiro, em sua imagem monta cavalo e carrega uma lança……

Ogum divindade da guerra, usa armas forjadas do metal, como espada e lança…..

logo se torna fácil associar que São jorge seria uma das melhores representações de Ogum, e isso não foi feito apenas com um, mas sim com todas as divindades.

Para isso, os negros se usavam das imagens presentes nas senzalas, para esconder o que seria realmente suas divindades, fazendo um buraco na parte inferior da imagem do santo católico e ali depositando o que  representava seu orixá, geralmente uma pedra(ota/ocuta) ou algum outro elemento natural como madeira ou ferro.

Essa também e uma das explicações para o dito popular “Santo do pau Oco”, já que as imagens ficavam ocas por dentro para camuflar os orixás.

A cada vez que o senhor de escravo entrava na senzala, por ouvir os sons dos tambores, pensavam que os negros estavam rezando aos santos(católicos) a sua maneira e no seu dialeto, e assim sobreviviam mais uma noite aqueles negros que não abandonaram seus orixás e nem perderam a fé.

Isso gerou o que temos hoje de sincretismos…..segue abaixo alguns dos mais populares

Bará-São Pedro/Santo Antônio
Ogum- São Jorge
Oya- Santa Barbara
Xangô-São Jeronimo
Odé- São Roque
Ossanha- São Francisco de Assis
Xapanã- São Lazaro
Oxum-Nossa Senhora Aparecida
Yemanja-Nossa Senhora dos Navegantes
Oxalá- Jesus

Existem ainda vários outros, conforme a região do pais ou do estado, como o negro não se comunicava, com outros negros de outras localidade não ouve um padrão para todos, logo ha uma variação imensa de sincretismos.

A igreja ainda influenciou em outros pontos como quaresma, missa de 7 dia, etc(falaremos em outras postagens) dentre outros ao que o negro era submetido a cumprir sob pena de castigo ou até mesmo morte.

Até bem pouco tempo as Os Ilês(casa de culto de Batuque) eram quase que obrigadas a usarem nome de santos católicos como uma especie de Pseudônimo, por sofrerem represália tanto do povo quanto das alteridades da época.

O negro fora arrancado de sua terra e obrigado louvar aquilo que não acreditava, até hoje vemos as cicatrizes disso dentro do batuque, tal enraizados, estão tais fatores que muitos adeptos se negam em romper as correntes da escravidão cristã, o que outrora fora obrigação punida com a morte hoje se tornou “tradição”.

Axé a todos

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